A safra brasileira de soja 2025/26 avança, mas segue pressionada por um conjunto de desafios que começam a desenhar um ciclo mais cauteloso para os produtores. Entre irregularidade das chuvas, custo elevado de produção, falhas de germinação e necessidade crescente de replantio, o cenário exige atenção, estratégia e planejamento para evitar prejuízos maiores.
Nesta matéria, reunimos o que os principais veículos agrícolas têm reportado sobre o andamento da semeadura, a situação dos estados líderes na produção, os impactos econômicos e os riscos para o restante da temporada.
Plantio avança, mas abaixo da média e com forte dependência das chuvas
Embora o plantio da soja já tenha passado da metade da área projetada no Brasil, o ritmo é considerado inferior ao de anos anteriores em diversas regiões. No Mato Grosso — estado responsável por quase 30% da produção nacional — o atraso foi impulsionado por longos períodos de seca seguidos de calor intenso, criando uma das maiores preocupações do ciclo.
A Aprosoja-MT relatou que a irregularidade das chuvas comprometeu a germinação em várias áreas, exigindo revisões de manejo e levando muitos produtores a adotar estratégias defensivas, como semeadura fracionada ou espera de novas frentes de umidade para avançar.
Apesar disso, algumas regiões registraram melhora nas últimas semanas, após a chegada de precipitações mais regulares que permitiram acelerar o plantio e recuperar parte do atraso.
Replantio cresce e acende alerta entre produtores
Um dos pontos mais recorrentes nas notícias do setor é o aumento do replantio de soja, especialmente no Centro-Oeste. A falta de umidade no momento da emergência foi o principal fator para falhas no estande, exigindo que os produtores refizessem áreas inteiras ou partes delas.
Segundo especialistas ouvidos pelo Canal Rural, o replantio pode elevar os custos da lavoura em mais de 10%, considerando:
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novas sementes
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deslocamento e consumo adicional de diesel
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reoperações com maquinário
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atrasos no calendário da fazenda
Além do impacto financeiro direto, o replantio também compromete o potencial produtivo, pois plantas estabelecidas tardiamente podem ter ciclos mais curtos, sofrer mais estresse e perder competitividade frente ao calendário ideal.
Abortamento e falhas de germinação preocupam em Mato Grosso
Reportagens do MT Play destacaram outro ponto sensível: em algumas regiões, o estresse hídrico não afetou apenas a germinação, mas também provocou abortamento de flores e estruturas reprodutivas, especialmente nas lavouras que conseguiram emergir precocemente, mas não encontraram oferta consistente de água.
Esse cenário representa risco direto à produtividade, pois o abortamento tende a comprometer o número de vagens e, consequentemente, o rendimento final.
Mercado e vendas antecipadas: cautela domina a decisão do produtor
Com a perspectiva de replantio e menor segurança na produtividade, muitos produtores têm sido mais cautelosos nas vendas antecipadas da safra 2025/26.
Segundo analistas, o risco climático somado à instabilidade do câmbio leva os produtores a evitarem compromissos futuros até que:
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a lavoura esteja mais estabelecida,
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o clima apresente maior regularidade,
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e os custos da operação sejam definitivamente consolidados.
Essa postura mais conservadora pressiona o mercado, reduz a liquidez e mantém produtores e compradores à espera de um melhor entendimento do cenário.
Custos de produção seguem elevados
Outro ponto amplamente registrado nas notícias é o aumento relevante nos custos da agricultura. O replantio agrava esse cenário, mas mesmo sem ele, a safra 2025/26 começou mais cara:
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sementes mais valorizadas,
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insumos com reajuste acumulado,
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e operações mais caras devido ao uso intensivo de maquinário.
Esse conjunto diminui a margem operacional e exige decisões cada vez mais assertivas.
Produtores adotam novas estratégias para reduzir riscos
Com o contexto climático adverso, várias recomendações técnicas vêm sendo reforçadas por consultores e instituições. Entre as mais citadas nas notícias estão:
1. Fracionamento da semeadura
Plantar parte da área no início da janela e reservar outra parte para momentos mais favoráveis de umidade reduz o risco de perder toda a área em um único pico de seca.
2. Uso de sementes de alto vigor
A qualidade da semente se torna ainda mais determinante em condições adversas.
3. Manejo aprimorado de palhada e cobertura
Solos bem cobertos tendem a manter mais umidade e reduzir danos por temperatura.
4. Monitoramento mais frequente do clima
Produtores têm usado previsões em janela curta para tomar decisões rápidas de semeadura e replantio.
Efeitos sobre o milho safrinha
O atraso provocado pelo replantio e pela irregularidade do plantio inicial também ameaça o calendário do milho segunda safra. Quanto mais tarde for colhida a soja, menor será a janela para semear o milho em época segura.
Essa preocupação já aparece nas projeções de consultorias e entidades do agro, especialmente no Centro-Oeste.
Expectativa para o restante da safra
Mesmo com o começo turbulento, especialistas afirmam que a safra 2025/26 ainda tem potencial, desde que:
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o regime de chuvas se normalize,
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as áreas replantadas consigam se recuperar,
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e o manejo seja ajustado para minimizar perdas.
Em estados onde as chuvas melhoraram nas últimas semanas, como Mato Grosso e parte do Matopiba, produtores retomaram o otimismo — mas com cautela, já que o clima segue como principal fator de risco.
Conclusão: uma safra que exige estratégia, paciência e leitura de cenário
A safra de soja 2025/26 está longe de ser perdida, mas também está longe de ser tranquila. O mix de clima irregular, necessidade de replantio, custos elevados e incertezas no mercado cria um ambiente onde decisão técnica e gestão de risco serão determinantes.
Produtores atentos ao manejo, à umidade do solo, ao zoneamento e às janelas climáticas tendem a passar por esse período com menos impacto.
Acompanhar as próximas semanas será fundamental: a regularização das chuvas pode transformar o cenário — mas a falta delas intensifica ainda mais os desafios desta safra.