Formação de Calda na Pulverização Agrícola

Por My Farm Agro  — Cuiabá/MT

A formação de calda é uma das etapas mais determinantes para o sucesso de uma aplicação de defensivos agrícolas — seja herbicida, inseticida, fungicida ou produto biológico. Mesmo com o melhor pulverizador, as melhores pontas e as condições climáticas ideais, uma calda mal preparada compromete a eficiência, aumenta o risco de deriva, potencializa entupimentos, causa fitotoxidade e reduz o desempenho agronômico.

Neste artigo, vamos descomplicar o tema e explicar, de forma técnica e prática, como funciona a formação de calda, quais são os fatores críticos, os erros mais comuns e as recomendações essenciais para quem quer aplicar com mais segurança, eficiência e previsibilidade.

1. O que é a formação de calda?

É o processo de misturar água, defensivos, adjuvantes e outros componentes no tanque do pulverizador, seguindo uma lógica técnica baseada na solubilidade, no tipo de formulação e no comportamento físico-químico de cada produto.

A formação correta da calda garante:

  • Estabilidade da mistura

  • Distribuição uniforme das partículas

  • Compatibilidade entre formulações

  • Máximo aproveitamento do ingrediente ativo

  • Redução de perdas e falhas de aplicação

A formação inadequada, por outro lado, gera precipitação, decantação, entupimentos, incompatibilidades e queda da eficácia.

2. Por que a formação de calda é tão importante?

A maior parte dos erros de aplicação não está na ponta, no volume ou no pulverizador — mas naquilo que acontece dentro do tanque.
Os principais problemas relatados no campo incluem:

  • Encapsulamento de partículas (erro comum com WP/WG + óleo)

  • Incompatibilidade físico-química entre produtos

  • Reações de pH (ex.: glifosato + 2,4-D)

  • Falta de agitação

  • Ordem errada de mistura

A consequência?
Calda instável, produto mal distribuído, alvo mal atingido… e prejuízo.

A formação da calda é o “coração” da tecnologia de aplicação. Sem essa etapa bem executada, todo o resto fica comprometido.

3. Conhecendo os tipos de formulações

Cada defensivo possui uma formulação específica, que determina como ele se comporta na água e qual deve ser sua posição na ordem de mistura.

Soluções (SL, PS, SG)

  • Totalmente solúveis em água

  • Alta influência no pH da calda

  • Sempre entram no tanque com o volume de água quase completo

Emulsões (EC, ME, CS)

  • Ativo dissolvido em óleo, depois emulsificado na água

  • Exigem tensoativos para formar micelas

  • Entram depois das suspensões (SC/OD)

Suspensões (SC, OD, WP, WG)

  • Partículas sólidas dispersas — não solubilizam

  • WP/WG entram sempre primeiro, com água inicial

  • Dependem fortemente da agitação para dispersar

Cada formulação reage de forma diferente com pH, óleo, tensoativos e temperatura. Por isso, a ordem de mistura é tão crítica.

4. Ordem correta de mistura (B.A.BÁ da Calda)

Um dos tópicos mais importantes é o passo a passo ideal para montar caldas seguras e estáveis:

1) Água (até 30–40% do tanque)

Permite diluição inicial e reduz risco de reações.

2) Produtos sólidos: WG e WP

Sempre primeiro, porque precisam de dispersão antes da entrada de qualquer óleo.

3) Tensoativos não oleosos

Emulsificantes, espalhantes, redutores de deriva.

4) Óleos e adjuvantes oleosos

Mas só depois que os sólidos forem dispersos.

5) Suspensões (SC, OD)

Após o óleo, se houver; ou antes, caso o óleo entre por último.

6) Emulsões (EC, ME, CS)

Sempre depois das suspensões.

7) Soluções (SL, adubos foliares, sais)

Entram por último, com o tanque cheio, pois interferem no pH e têm maior risco de reação.

Essa ordem reduz drasticamente problemas como encapsulamento, precipitação e entupimentos.

Materia da série Fundamentos da formação de caldas da FarmFlix

5. pH da calda: o fator mais subestimado

O pH pode alterar a eficiência em até 50%, e em alguns casos extremos — como cletodim — a solubilidade cai 6.000 vezes quando o pH sobe de 5 para 9 .

Pontos-chave:

  • pH não afeta apenas hidrólise → afeta solubilidade e estabilidade

  • A resposta ao pH depende da formulação, não apenas do ingrediente ativo

  • Tabelas genéricas de “pH ideal” são imprecisas

  • O recomendado é testar a calda pronta no laboratório ou no copo

Erros de pH explicam muitos casos de falhas de controle, baixa performance e incompatibilidade.

6. Adjuvantes: ativadores e utilitários

Os adjuvantes desempenham funções essenciais:

Ativadores

  • Melhoram absorção, fixação e penetração

  • Servem para potencializar o defensivo, mesmo com água boa

Utilitários

  • Corrigem problemas

  • Antideriva, antiespuma, sequestrante, acidificante, condicionadores de água

Quase todos contêm tensoativos, moléculas que diminuem a tensão superficial e facilitam a interação da água com superfícies hidrofílicas ou hidrofóbicas.

O uso certo de adjuvantes transforma a calda e melhora a entrega do ingrediente ativo.

7. Erros mais comuns na formação de calda

Na série Fundamentos da formação de caldas da FarmFlix, o especialista aborda os erros recorrentes no campo:

Misturar WP/WG após óleo

Causa encapsulamento → entupimento e má aplicação.

Corrigir pH sem conhecer o comportamento do ativo

Pode destruir a eficácia (ex.: cletodim, triazóis, estrobilurinas).

Excesso de produtos no mesmo tanque

Aumenta muito o risco de incompatibilidade.

Falta de agitação, especialmente com mancozebe

Leva à formação de “massa” e decantação.

 Ignorar a reação glifosato + 2,4-D

A mistura pode precipitar facilmente se o pH não for ajustado.

Baixo volume de água

Aumenta probabilidade de reação entre produtos solúveis.

Não limpar adequadamente o pulverizador

Resíduos podem causar fitotoxidade, como no caso de flumioxazina.

Todo profissional deve dominar esses riscos para evitá-los.

8. Compatibilidade: testando antes de aplicar

A recomendação prática é clara:

  • Testar a mistura em pequena escala (garrafa)

  • Observar pH, precipitação, separação de fases, espuma, gelificação

  • Ajustar a ordem ou eliminar produtos incompatíveis

Esse teste simples pode evitar perdas enormes no campo.

Conclusão: dominar a calda é dominar a aplicação

A formação de calda é uma etapa decisiva e altamente técnica.
Compreender formulações, adjuvantes, pH, ordem de mistura e comportamento físico-químico é o que diferencia uma aplicação eficiente, segura e estável de uma aplicação arriscada e ineficaz.

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