Cigarrinha-do-milho: por que ela virou um grande problema nas lavouras brasileiras

Por My Farm Agro  — Cuiabá/MT

Nos últimos anos, poucas pragas causaram tanto impacto na cultura do milho quanto a cigarrinha-do-milho. O que antes era considerada uma praga secundária passou a ocupar o centro das decisões de manejo, sendo hoje um dos principais fatores de risco para a produtividade da cultura.

O grande problema não está apenas no inseto em si, mas na sua capacidade de transmitir patógenos, causar perdas severas e difíceis de prever, além de desafiar os sistemas tradicionais de controle.

Entender por que a cigarrinha se tornou um grande problema exige compreender sua biologia, seus danos diretos e indiretos, e as mudanças no sistema produtivo do milho.

O que é a cigarrinha-do-milho?

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto sugador que se alimenta da seiva das plantas de milho. Seu ciclo de vida está intimamente ligado à cultura, sendo o milho seu principal hospedeiro.

Do ponto de vista agronômico, o maior risco associado à cigarrinha não é a sucção de seiva em si, mas o fato de ela atuar como vetor de importantes patógenos, responsáveis pelos chamados enfezamentos do milho.

Danos causados pela cigarrinha-do-milho

Danos diretos

Os danos diretos da cigarrinha estão relacionados à sucção de seiva, que pode causar:

  • Enfraquecimento da planta;

  • Redução do vigor;

  • Estresse fisiológico, especialmente em plântulas.

Isoladamente, esses danos diretos raramente justificariam grandes perdas econômicas.

Danos indiretos (os mais graves)

O grande problema da cigarrinha está nos danos indiretos, causados pela transmissão de patógenos, principalmente:

  • Enfezamento pálido;

  • Enfezamento vermelho;

  • Virose associada ao complexo do enfezamento.

Essas doenças comprometem o metabolismo da planta, reduzem drasticamente a fotossíntese, afetam o transporte de assimilados e provocam perdas severas de produtividade, muitas vezes acima de 50%, dependendo da intensidade da infecção e do estágio em que ocorre.

Como identificar a cigarrinha-do-milho no campo

Identificação do inseto

A cigarrinha-do-milho é um inseto pequeno, de coloração clara, com movimentação rápida e comportamento característico de “pulos” quando perturbada.

Ela costuma se concentrar:

  • No cartucho;

  • Na face inferior das folhas;

  • Em plantas jovens, especialmente nos estádios iniciais.

Sintomas nas plantas

Os sintomas mais comuns associados à presença da cigarrinha e dos patógenos transmitidos incluem:

  • Encurtamento de entrenós;

  • Folhas com coloração avermelhada ou amarelada;

  • Perfilhamento excessivo;

  • Espigas pequenas ou mal formadas;

  • Falhas severas de granação.

É importante destacar que os sintomas nem sempre aparecem imediatamente após a infecção, o que dificulta a associação direta entre o inseto e o dano final.

Por que a cigarrinha-do-milho virou um grande problema?

A transformação da cigarrinha em um dos principais desafios do milho está associada a vários fatores combinados:

Intensificação do cultivo do milho

O aumento das áreas cultivadas, especialmente com milho safrinha, criou uma condição de ponte verde, permitindo a sobrevivência contínua da cigarrinha ao longo do ano.

Sucessão de cultivos e ausência de vazio sanitário efetivo

A presença constante de plantas de milho em diferentes regiões favorece a manutenção das populações do inseto e dos patógenos.

Dificuldade de controle químico

A cigarrinha apresenta:

  • Alta mobilidade;

  • Capacidade de reinfestação rápida;

  • Eficiência limitada do controle químico isolado.

Além disso, muitas vezes o controle ocorre após a transmissão do patógeno, o que reduz a eficiência da intervenção.

Infecção precoce

Infecções ocorridas nos estádios iniciais da cultura são as mais severas, pois comprometem toda a formação da planta e seus componentes de produtividade.

Impacto da cigarrinha na produtividade do milho

Quando a infecção ocorre cedo:

  • Redução do número de grãos por espiga;

  • Redução do peso de grãos;

  • Plantas improdutivas ou com espigas mal formadas.

Isso explica por que lavouras visualmente “verdes” podem apresentar produtividade extremamente baixa na colheita.

Conclusão

A cigarrinha-do-milho deixou de ser uma praga secundária porque o sistema produtivo atual favoreceu sua sobrevivência, multiplicação e eficiência como vetor de doenças.

O grande desafio não é apenas controlar o inseto, mas reduzir o risco de infecção precoce, o que exige manejo integrado, monitoramento constante e decisões antecipadas.

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