A produtividade das pastagens brasileiras ainda está muito abaixo do seu potencial. Embora existam diversas causas para isso, uma das principais é a ausência de correção adequada do solo.
Antes de pensar em adubação nitrogenada, fosfatada e potássica, é fundamental entender que a correção do solo é a base da fertilidade em pastagens. Sem esse ajuste inicial, qualquer investimento em fertilizantes pode se tornar um dreno de recursos.
Neste artigo, você vai entender:
- Por que a correção do solo é indispensável
- Como a acidez interfere na produtividade do pasto
- Qual a relação entre pH, alumínio e absorção de nutrientes
- Como planejar corretamente a calagem
- Como definir a saturação por base ideal
Por Que Corrigir o Solo Antes de Adubar?
Grande parte das pastagens brasileiras está localizada em solos do Cerrado, caracterizados por:
- pH baixo
- Alta saturação por alumínio
- Baixos teores de fósforo
- Baixa disponibilidade de cálcio e magnésio
Além disso, estima-se que mais de 80% das áreas de pastagens produzem abaixo do potencial. E, embora nem todas estejam degradadas, muitas apresentam limitações químicas importantes.
Portanto, antes de adubar, é necessário corrigir.
Sem correção adequada:
- O fósforo fica indisponível
- O alumínio intoxica as raízes
- A absorção de nutrientes é comprometida
- O sistema radicular não se aprofunda
- A planta se torna mais sensível ao veranico
Ou seja, adubar solo ácido é desperdiçar dinheiro.
Entendendo a Acidez do Solo em Pastagens
A acidez do solo é um dos principais fatores limitantes da produtividade. E ela ocorre principalmente por:
- Intemperismo natural em clima tropical
- Mineralização da matéria orgânica
- Uso intensivo de fertilizantes nitrogenados
- Exportação contínua de nutrientes
Além disso, sistemas intensificados com altas doses de nitrogênio tendem a acidificar o solo mais rapidamente.
Portanto, corrigir o pH é condição básica para alta produtividade.
Qual o pH Ideal para Pastagens?
De maneira geral, a faixa ideal de pH para a maioria das forrageiras está entre: 5 e 6
Entretanto, a meta de correção depende da exigência da planta.
Por exemplo:
- Plantas com maior qualidade nutritiva → Alta exigência
- Plantas com qualidade mediana → Média a alta exigência
- Plantas com qualidade inferior → Baixa exigência
Ou seja, a correção do solo deve ser ajustada conforme a espécie forrageira.
Planejamento da Correção: O Erro Que Mais Custa Dinheiro
Um dos maiores erros na formação e recuperação de pastagens é a falta de planejamento.
O cronograma ideal envolve:
- Definição da área no período chuvoso anterior
- Coleta de solo com antecedência
- Análise química e física
- Compra antecipada de corretivos
- Aplicação no final do período chuvoso
- Incorporação adequada (até 20 cm)
Quando o calcário é aplicado no momento correto, ele reage com a umidade residual e já estará ativo no início das chuvas.
Isso evita atrasos, improvisações e custos maiores.
Como Calcular a Necessidade de Calagem
Existem dois principais métodos:
-
Método da Saturação por Base
-
Método de Neutralização da Acidez Trocável
O mais utilizado é o da saturação por base:
- NC = CTC (V2 – V1) x 100
Onde:
- V2 = saturação desejada
- V1 = saturação atual
Depois disso, ajusta-se pelo PRNT do calcário:
- Quantidade de calcário = NC × 100 PRNT
- O PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) indica a eficiência real do calcário.
E atenção:
Nem sempre o calcário mais barato é o mais econômico.
Calcário Calcítico ou Dolomítico?
A escolha depende da relação cálcio:magnésio do solo.
Relação ideal:
- 3:1 a 5:1 (Ca/Mg)
Excesso de magnésio → usar calcítico
Excesso de cálcio → usar dolomítico
O desequilíbrio entre Ca e Mg pode comprometer a absorção de potássio e reduzir produtividade.
Portanto, a análise de solo deve sempre considerar esses dois elementos em conjunto.
E o Gesso Agrícola? Preciso Usar?
Embora o gesso não corrija o pH, ele:
- Melhora condições das camadas profundas
- Favorece o crescimento radicular
- Ajuda no enfrentamento de veranicos
- Fornece enxofre
Ele é especialmente importante quando há alumínio em camadas de 20–40 cm.
Mas atenção: solos arenosos exigem doses menores, devido ao risco de lixiviação.
Correção de Solo Não é Custo. É Investimento
O solo é o principal ativo da fazenda.
- Não é o gado. Não é a máquina. É o solo!
Quando bem corrigido:
- Aumenta a produção de forragem
- Permite maior lotação
- Melhora a resiliência à seca
- Reduz degradação
- Sustenta sistemas intensificados
A correção do solo é o que separa pecuária extensiva de pecuária estratégica.
Conclusão: Não Existe Pastagem Produtiva Sem Solo Corrigido
A correção do solo para pastagens é o primeiro passo para qualquer sistema eficiente.
Antes de pensar em adubação nitrogenada, intensificação ou aumento de lotação, é necessário:
- Corrigir o pH
- Neutralizar o alumínio
- Ajustar cálcio e magnésio
- Planejar a aplicação
- Escolher o calcário correto
Somente assim a adubação posterior será realmente eficiente.
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