Safra de soja 2025/2026: Desafios e perspectivas

Por My Farm Agro  — Cuiabá/MT

Enchimento de grãos na soja

Clima, desenvolvimento das lavouras e cenário de oferta e demanda

A safra de soja 2025/26 no Brasil vem sendo marcada por contrastes climáticos, boa produtividade em diversas regiões e um comportamento mais cauteloso por parte do produtor. Ao mesmo tempo, o cenário global de oferta e demanda continua posicionando o Brasil como principal fornecedor mundial da oleaginosa.

Neste artigo, analisamos o início da safra, o desenvolvimento das lavouras, os números de produção e as perspectivas do mercado. Dessa forma, antecipando o melhor cenário para tomada de decisão técnica do produtor rural.

Um início de safra marcado por irregularidade climática

O início da safra 2025/26 foi caracterizado por chuvas irregulares entre setembro, outubro e início de novembro, afetando o ritmo de plantio em diversas regiões do país. Esse comportamento climático gerou diferenças importantes no calendário agrícola entre estados produtores.

Segundo especialistas, houve grande variabilidade regional no início da semeadura. Enquanto alguns estados registraram atrasos significativos, outros apresentaram um dos plantios mais rápidos da história recente.

Entre os principais pontos observados:

Estados com atraso no plantio

  • Goiás registrou um dos plantios mais atrasados da história, especialmente no sudoeste do estado, principal região produtora.
  • Minas Gerais também apresentou atraso relevante na semeadura.
  • Dentro do Mato Grosso, regiões do sudeste e leste do estado também enfrentaram atraso devido à irregularidade das chuvas.

Estados com plantio acelerado

O Paraná apresentou o plantio mais rápido já registrado, favorecido por melhores condições climáticas no início da safra. 

Enquanto que na média histórica para esse período o plantio costuma estar entre 40% e 50% da área. Ou seja, houve um avanço cerca de 15 a 25 pontos percentuais acima do ritmo normal.

O sul de Mato Grosso do Sul também registrou um início de plantio bastante favorável.

Estratégia mais cautelosa do produtor

Apesar da irregularidade climática, o comportamento do produtor nesta safra foi diferente do observado na temporada anterior.

Na safra 2023/24, muitos produtores anteciparam o plantio esperando a regularização das chuvas, o que resultou em altos índices de replantio, chegando a:

  • mais de 15% de replantio na Bahia
  • cerca de 9% no Mato Grosso.

Já na safra 2025/26 os percentuais foram significativamente menores na maior parte do país. As exceções foram Maranhão, e Tocantins: 

  • Maranhão, com aproximadamente 10% de replantio
  • Tocantins, próximo de 5%.

A redução dos índices de replantio está associada a uma postura mais cautelosa do produtor, que aguardou a regularização climática antes de iniciar o plantio.

Esse comportamento demonstra uma mudança na gestão de risco climático no campo, reflexo do aprendizado recente do setor produtivo.

Desenvolvimento das lavouras e condições no campo

Com o avanço da safra, as condições climáticas passaram a favorecer o desenvolvimento das lavouras em grande parte das regiões produtoras.

Levantamentos técnicos indicam que, apesar das diferenças regionais no plantio, muitas áreas apresentam bom potencial produtivo.

Entre os principais destaques observados nas primeiras avaliações de campo:

Oeste do Paraná

  • A colheita começou nas áreas mais precoces.
  • As lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo e alto potencial produtivo.
  • As produtividades iniciais são consideradas elevadas e dentro da normalidade para a região.

Outro aspecto observado foi um ciclo de desenvolvimento mais longo da soja nesta safra, resultado de dois fatores principais:

  • frio prolongado até outubro
  • maior frequência de dias nublados e chuvosos durante o ciclo da cultura.

Mato Grosso: avanço da colheita e produtividade elevada

Em Mato Grosso, principal produtor nacional de soja, o monitoramento realizado pelo Projeto Imea em Campo, em parceria com a Aprosoja-MT, mostra resultados positivos para a safra.

Entre os principais indicadores observados:

  • Área cultivada: 13,01 milhões de hectares
  • Produtividade média estimada: 65,87 sacas por hectare
  • Produção projetada: 51,41 milhões de toneladas.

Até o final de fevereiro de 2026:

  • 78,34% da área já havia sido colhida no estado.

Embora chuvas intensas tenham reduzido o ritmo operacional em alguns momentos, a produtividade média segue elevada, especialmente nas regiões:

  • Norte
  • Nordeste do estado.

Em algumas áreas, no entanto, o excesso de chuvas elevou a umidade dos grãos e aumentou a incidência de grãos avariados, o que pode gerar descontos na comercialização.

Oferta e demanda global de soja

No cenário internacional, as estimativas indicam que o Brasil continuará desempenhando um papel central no abastecimento mundial de soja.

Segundo dados compilados pelo CEPEA/ESALQ, com base em projeções do USDA:

  • A produção mundial de soja deve atingir 425,68 milhões de toneladas.
  • O Brasil deve produzir cerca de 178 milhões de toneladas, representando aproximadamente 41,8% da produção mundial.
  • As exportações brasileiras devem alcançar 114 milhões de toneladas.

Outro fator relevante é a continuidade da forte demanda internacional, especialmente da China, cujas importações devem alcançar cerca de 112 milhões de toneladas na temporada.

Além disso, o processamento global da oleaginosa também segue em expansão, impulsionado principalmente pela demanda por:

  • farelo de soja para alimentação animal
  • óleo de soja utilizado na produção de biodiesel.

Custos de produção e cautela do produtor

Apesar das boas perspectivas produtivas, o cenário econômico continua exigindo atenção por parte do produtor.

Segundo estudo do CEPEA/ESALQ em parceria com a CNA, o custo operacional da soja para a safra 2025/26 apresenta leve aumento, influenciado principalmente pelo encarecimento de fertilizantes.

Entre os principais pontos observados:

  • aumento de 17,7% no custo com fertilizantes
  • queda nos custos de defensivos (-6,1%)
  • redução no custo de sementes (-9,3%).

Mesmo com estabilidade no custo total, a queda projetada de 13,3% no preço médio da soja pressiona a rentabilidade da atividade.

Como consequência:

  • A MARGEM BRUTA MÉDIA pode cair cerca de 47,6%
  • Passando de R$ 2.325,50/ha para R$ 1.219,60/ha.

Esse cenário explica por que o produtor brasileiro tem adotado uma postura mais cautelosa na tomada de decisões, especialmente em relação a investimentos e comercialização.

Conclusão

A safra de soja 2025/26 mostra que o setor produtivo brasileiro continua se adaptando rapidamente aos desafios climáticos e econômicos.

Entre os principais pontos desta temporada destacam-se:

  • início de safra marcado por irregularidade climática
  • estratégia mais prudente do produtor na implantação das lavouras
  • boas perspectivas produtivas em várias regiões
  • manutenção do Brasil como principal fornecedor mundial de soja.

Mesmo diante das pressões de custo e volatilidade de preços, o agronegócio brasileiro segue demonstrando alta eficiência produtiva e forte competitividade no mercado internacional.

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