O sistema produtivo soja–milho domina grande parte da agricultura brasileira. No entanto, esse modelo intensivo de produção também criou um cenário favorável para o aumento da pressão de pragas ao longo das safras.
Nesse contexto, o manejo eficiente depende cada vez mais de monitoramento constante, conhecimento da biologia das pragas e posicionamento correto das ferramentas de controle.
Ao longo deste artigo, vamos explorar os principais desafios no manejo de pragas no sistema soja–milho, destacando as pragas mais importantes e as estratégias técnicas para reduzir perdas produtivas.
O cenário atual das pragas na agricultura brasileira
A cultura da soja apresenta um complexo amplo de pragas, cuja importância varia conforme região, clima e sistema produtivo.
Entre as principais pragas destacadas atualmente estão:
- percevejos
- lagartas do complexo Spodoptera
- mosca-branca
- tripes
- lagarta minadora
- cascudinho
A intensidade dessas pragas varia de acordo com o ano e a região, mas o fator comum entre elas é o crescimento da pressão populacional nos últimos anos.
Isso ocorre principalmente devido a três fatores estruturais:
- sistema de produção intensivo
- presença constante de hospedeiros
- maior seleção de populações resistentes
O sistema soja–milho e a ponte verde
Um dos principais fatores que favorecem a multiplicação de pragas no Brasil é a chamada ponte verde. Antigamente, o sistema agrícola tinha períodos sem culturas, o que naturalmente reduz as populações de insetos.
Hoje, com o cultivo contínuo de soja, milho, milho safrinha, culturas irrigadas as pragas encontram alimento durante praticamente todo o ano.
Além disso, alguns fatores agronômicos ampliam ainda mais esse problema:
- plantas tigueras
- plantas daninhas hospedeiras
- restos culturais
- áreas com sucessão intensiva de culturas
Essas condições permitem que as populações iniciem cada nova safra em níveis mais elevados.
Principais pragas da cultura da soja
Percevejos
Os percevejos são considerados a principal praga da soja no Brasil, exigindo frequentemente múltiplas aplicações durante a safra.
Entre as espécies mais comuns estão:
- percevejo-marrom (Euschistus heros)
- percevejo-barriga-verde (Dichelops spp.)
- percevejo-verde (Nezara viridula)
O período mais crítico ocorre durante a formação de vagens e enchimento de grãos.
Os principais danos incluem:
- sucção de seiva
- queda de vagens
- abortamento de grãos
- redução de peso de sementes
- perda de qualidade do grão
Infestações elevadas podem provocar perdas superiores a 30 sacas por hectare quando não controladas adequadamente.
Lagartas do complexo Spodoptera
Nos últimos anos, as lagartas do gênero Spodoptera passaram a ganhar importância crescente no manejo da soja.
Entre as principais espécies estão:
- Spodoptera frugiperda
- Spodoptera eridania
- Spodoptera cosmioides
Essas lagartas causam:
- desfolha intensa
- consumo de estruturas reprodutivas
- queda de vagens
Dependendo da infestação, os danos podem resultar em reduções de produtividade superiores a 30%. Outro fator preocupante é o aumento da resistência a biotecnologias BT, o que exige maior atenção no manejo.
Mosca-branca
A mosca-branca (Bemisia tabaci, biótipo B) tornou-se uma das pragas mais importantes da soja em diversas regiões do país.
Seus principais danos incluem:
- sucção de seiva
- transmissão de viroses
- produção de melada
- desenvolvimento de fumagina
Além disso, populações elevadas podem provocar perdas de até 7 sacas por hectare, dependendo da infestação.
Pragas emergentes no sistema produtivo
Nos últimos anos, algumas pragas passaram a ganhar um maior destaque no manejo da soja.
Entre elas estão:
Minadora
A minadora tem aumentado sua ocorrência em diversas regiões, causando:
- galerias nas folhas
- redução da área fotossintética
- maior suscetibilidade a doenças
Esses danos aceleram a senescência das folhas e podem comprometer o rendimento da lavoura.
Tripes
Os tripes causam raspagem das células da folha, gerando:
- aspecto prateado nas folhas
- redução da fotossíntese
- atraso no desenvolvimento das plantas
Em casos severos, podem provocar reduções de até 30% na produtividade.
Ácaros
O ácaro rajado tem se tornado cada vez mais frequente em diversas regiões. Entre os principais fatores que favorecem sua ocorrência estão:
- clima seco
- desequilíbrio biológico
- uso excessivo de inseticidas
A praga pode causar:
- redução da fotossíntese
- desfolha precoce
- perdas superiores a 30% da produtividade.
Pragas importantes na cultura do milho
A pressão de pragas na soja impacta diretamente a cultura do milho subsequente.
Entre as principais pragas estão:
Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
É considerada a principal praga do milho. Os danos incluem:
- raspagem das folhas
- destruição do cartucho
- ataque às espigas
Infestações severas podem comprometer seriamente o potencial produtivo da cultura.
Cigarrinha-do-milho
A cigarrinha (Dalbulus maidis) tornou-se uma das pragas mais preocupantes do milho nos últimos anos.
Isso ocorre principalmente devido à transmissão de doenças como:
- enfezamento pálido
- enfezamento vermelho
- viroses associadas
A presença da praga está diretamente relacionada à presença de milho tiguera, que mantém a população ativa durante a entressafra.
O papel do monitoramento no manejo de pragas
Independentemente da cultura ou da praga, o monitoramento é a base de qualquer programa de manejo eficiente.
Ele permite:
- detectar infestações precoces
- determinar o nível de controle
- avaliar a eficácia das intervenções
- evitar aplicações desnecessárias
Além disso, o histórico de monitoramento ajuda a identificar:
- talhões com maior pressão de pragas
- épocas de maior risco
- padrões de ocorrência ao longo das safras
Essas informações são fundamentais para construir estratégias de manejo mais eficientes ao longo dos anos.
Estratégias modernas de manejo de pragas
Diante da complexidade do sistema produtivo brasileiro, o manejo atual precisa combinar diferentes ferramentas.
Entre as principais estratégias estão:
Manejo cultural
- eliminação de plantas tigueras
- controle de plantas daninhas hospedeiras
- rotação de culturas
Uso racional de inseticidas
- rotação de mecanismos de ação
- uso correto de doses
- posicionamento no momento adequado
Monitoramento contínuo
- avaliações semanais
- uso de armadilhas
- análise da dinâmica populacional
Integração de ferramentas
O manejo eficiente exige combinar:
- controle químico
- controle biológico
- práticas agronômicas
- tecnologia de aplicação
Conclusão
O manejo de pragas no sistema soja–milho tornou-se cada vez mais complexo devido à intensificação da agricultura brasileira.
Entre os fatores decisivos para o sucesso do controle estão:
- monitoramento eficiente
- conhecimento da biologia das pragas
- uso correto das ferramentas disponíveis
- estratégias integradas de manejo
Quando essas práticas são adotadas corretamente, é possível reduzir perdas e manter a produtividade das lavouras mesmo em cenários de alta pressão de pragas.
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