Cascudinho-da-soja preocupa produtores na safra 2026/2027 e pode exigir replantio

Por My Farm Agro  — Cuiabá/MT

Cascudinho-da-soja preocupa produtores na safra 2026/2027 e pode exigir replantio

Ataques nas primeiras semanas após a emergência colocam em risco o estande da soja. Entenda o que favorece a ocorrência do cascudinho, os principais danos e como monitorar a praga.

O início da safra de soja 2026/2027 tem sido marcado por um alerta fitossanitário em Mato Grosso do Sul: a ocorrência do cascudinho-da-soja (Myochrous armatus), uma praga capaz de comprometer o estabelecimento das lavouras e, em situações de infestação severa, provocar a necessidade de replantio.

Segundo informações divulgadas pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) e repercutidas pelos portais O Estado Online e Idest, a preocupação é maior nas regiões centro-norte do estado, embora também existam registros no sul.

O problema está relacionado principalmente à capacidade dos insetos adultos de danificar plantas recém-emergidas, provocando lesões no caule, tombamento, morte de plântulas e redução da população de plantas estabelecida.

O período mais crítico compreende a emergência da soja e aproximadamente os primeiros 25 dias de desenvolvimento, quando as plantas apresentam maior vulnerabilidade aos danos.

Diante desse cenário, o monitoramento desde os primeiros dias após a emergência é fundamental para identificar os focos de infestação e evitar que o ataque comprometa o potencial produtivo da lavoura.

Cascudinho-da-soja: ocorrência preocupa produtores na safra 2026/2027

Embora tenha ganhado destaque neste início de safra, o cascudinho-da-soja não é um problema recente em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o Informativo Técnico 05/2026 da Aprosoja/MS, citado nas reportagens, a praga já havia sido identificada em lavouras do estado na safra 2017/2018.

Desde então, sua ocorrência tem representado um desafio para produtores e profissionais responsáveis pelo manejo fitossanitário, especialmente nas áreas com histórico de infestação.

Em reportagem publicada pelo O Estado Online, em 15 de outubro de 2026, o diretor da Aprosoja/MS e produtor rural Eduardo Introvini destacou que o inseto vem causando dificuldades há várias safras, principalmente pela complexidade do controle quando a infestação se intensifica.

A preocupação também foi apresentada pelo Idest, que destacou a necessidade de monitoramento desde a emergência da soja para reduzir os riscos de perdas durante o estabelecimento da cultura.

Em atualização publicada em 21 de outubro, a Aprosoja/MS informou que as regiões Oeste, Sudoeste e Sul-Fronteira apresentavam maior ocorrência de algumas pragas iniciais, entre elas o cascudinho-da-soja, com registros de necessidade de intervenção.

Essas informações reforçam a importância da atenção ao problema na safra 2026/2027. Entretanto, os relatos não permitem afirmar que todas as regiões produtoras estejam enfrentando infestações severas, nem quantificar a área total afetada pelo inseto.

O que é o cascudinho-da-soja?

O cascudinho-da-soja, Myochrous armatus, é um inseto da ordem Coleoptera, pertencente à família Chrysomelidae.

A espécie apresenta comportamento associado ao solo e à cobertura vegetal, características que dificultam sua identificação durante as inspeções convencionais da lavoura.

Os adultos possuem corpo pequeno, escuro e aspecto robusto. Podem permanecer abrigados sob torrões, na palhada ou próximos à base das plantas, deslocando-se para as estruturas vegetais para se alimentar.

Uma das particularidades da praga é seu ciclo biológico prolongado.

As fases imaturas se desenvolvem no solo, enquanto os adultos são responsáveis pelos principais danos observados na parte aérea da soja.

A emergência dos adultos está relacionada às condições ambientais, especialmente ao início do período chuvoso.

Essa característica ajuda a explicar por que os ataques podem coincidir com a implantação das lavouras de soja, justamente quando as plantas estão mais vulneráveis.

Por que o cascudinho aparece com maior intensidade no início da safra?

A dinâmica populacional do cascudinho-da-soja está relacionada à distribuição das chuvas e à disponibilidade de plantas hospedeiras.

Durante parte do ano, o inseto permanece no ambiente do solo, passando por diferentes fases de desenvolvimento.

Com a chegada das primeiras chuvas e o estabelecimento de condições favoráveis, ocorre a emergência dos adultos.

Quando esse processo coincide com a germinação e a emergência da soja, os insetos encontram plantas jovens disponíveis para alimentação.

O risco aumenta porque, nessa fase, o caule ainda apresenta tecidos tenros e menor resistência aos danos provocados pela alimentação dos adultos.

Além disso, a emergência pode ocorrer de maneira escalonada quando as chuvas apresentam distribuição irregular, prolongando o período de presença dos insetos na lavoura.

Por isso, áreas com histórico de ocorrência exigem atenção antes mesmo da semeadura, incluindo a observação de plantas hospedeiras, cobertura do solo e condições favoráveis à presença da praga.

Quais são os principais danos do cascudinho-da-soja?

Os danos provocados pelo cascudinho podem variar conforme o estádio de desenvolvimento da soja e a intensidade da infestação.

Raspagens e lesões no caule

Nas plantas jovens, os adultos podem provocar raspagens nos tecidos do caule, principalmente próximos à superfície do solo.

Quando as lesões são intensas, ocorre o comprometimento da estrutura da planta, podendo resultar em tombamento ou seccionamento do caule.

Morte de plântulas e redução do estande

O seccionamento do caule pode provocar a morte de plantas recém-emergidas.

Como consequência, surgem falhas na linha de semeadura e redução da população de plantas estabelecida.

Em infestações elevadas, essas perdas podem ocorrer rapidamente, comprometendo a uniformidade da lavoura.

Danos nos pecíolos e queda de folhas

Além dos danos no caule, o cascudinho também pode atacar os pecíolos das folhas.

As raspagens podem enfraquecer essas estruturas e provocar a queda de folhas e trifólios, reduzindo a área foliar disponível para a fotossíntese.

Esse tipo de dano pode continuar ocorrendo mesmo após a fase inicial de estabelecimento.

Formação de reboleiras

Os ataques podem apresentar distribuição irregular, com maior concentração de danos em determinados pontos do talhão.

Nessas regiões, é possível observar plantas tombadas, falhas no estande e desenvolvimento desuniforme.

A identificação dessas reboleiras é importante para acompanhar a evolução da infestação e avaliar a necessidade de intervenção.

O cascudinho-da-soja pode provocar replantio?

Sim. Em situações de infestação severa, os danos podem comprometer a população de plantas a ponto de tornar necessário o replantio das áreas afetadas.

Esse é um dos principais motivos de preocupação no início da safra 2026/2027 em Mato Grosso do Sul.

Quando os adultos provocam lesões intensas no caule, as plantas jovens podem tombar e morrer. Se a perda de plantas for elevada, o estande estabelecido pode ficar abaixo do necessário para atender ao planejamento da lavoura.

Entretanto, a presença do cascudinho ou a identificação de plantas danificadas não significa, automaticamente, que o replantio seja necessário.

Essa decisão exige uma avaliação criteriosa de diferentes fatores, incluindo:

  • População de plantas remanescente;
  • Uniformidade da distribuição das plantas;
  • Intensidade e evolução dos danos;
  • Estádio de desenvolvimento da cultura;
  • Condições de recuperação da lavoura;
  • Janela de semeadura e riscos de uma nova implantação.

Além dos custos adicionais com sementes, operações e insumos, o replantio pode atrasar o estabelecimento da cultura e alterar o planejamento das operações seguintes.

Por isso, o objetivo principal deve ser identificar a infestação precocemente e preservar o estande sempre que possível.

Como monitorar o cascudinho-da-soja na lavoura?

O monitoramento deve começar desde a emergência da soja, especialmente em talhões com histórico de ocorrência.

A Aprosoja/MS recomenda que o acompanhamento seja realizado conforme os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), considerando a presença do inseto, a intensidade dos danos e as condições da lavoura.

1. Observe a base das plantas

Procure raspagens, lesões e sinais de comprometimento do caule, principalmente próximos à superfície do solo.

2. Inspecione a palhada e os torrões

Os adultos podem permanecer escondidos nesses locais, dificultando sua visualização.

A ausência de insetos sobre as folhas não significa necessariamente ausência da praga.

3. Avalie as falhas no estande

Verifique a presença de plantas tombadas, mortas ou seccionadas.

Identifique se as falhas apresentam distribuição isolada ou se estão concentradas em reboleiras.

4. Observe os pecíolos e as folhas

Procure sinais de alimentação nos pecíolos e folhas caídas que possam estar relacionadas ao ataque.

5. Acompanhe a evolução dos danos

Realize avaliações sucessivas para identificar se a infestação está aumentando e se novas plantas estão sendo comprometidas.

O pano de batida também pode auxiliar na identificação dos adultos, conforme a orientação divulgada pela Aprosoja/MS. Entretanto, a inspeção da base das plantas e dos locais de abrigo é especialmente importante durante os estádios iniciais.

O monitoramento não deve considerar apenas a quantidade de insetos encontrados, mas também a proporção de plantas danificadas e a evolução das perdas no estande.

Como manejar o cascudinho-da-soja?

O manejo deve ser planejado de forma integrada, considerando o histórico da área, o momento de ocorrência da praga e as ferramentas disponíveis.

Manejo antes da semeadura

O controle de plantas hospedeiras e a atenção à presença de adultos antes da implantação da soja podem contribuir para reduzir a pressão inicial da praga.

Entre as plantas mencionadas pela Aprosoja/MS como possíveis fontes de abrigo ou alimento estão o amendoim-bravo, a braquiária e o milho tiguera.

A dessecação pré-semeadura, quando bem planejada, pode contribuir para o manejo dessas plantas e favorecer a antecipação das decisões de controle.

Tratamento de sementes

O tratamento de sementes com inseticidas registrados constitui uma ferramenta de proteção inicial.

Entretanto, sua eficiência pode ser limitada em condições de elevada pressão populacional, tornando necessário o acompanhamento constante após a emergência.

Controle químico foliar

As aplicações foliares podem ser consideradas quando o monitoramento indicar necessidade de intervenção.

A eficiência do controle depende de fatores como o ingrediente ativo, o comportamento dos insetos, as condições de aplicação e o momento da pulverização.

Resultados experimentais apresentados na série técnica da FarmFlix demonstram que o horário de aplicação pode influenciar significativamente a eficiência de determinados inseticidas no controle do cascudinho.

Controle biológico

Ferramentas biológicas direcionadas às fases imaturas no solo também vêm sendo estudadas como alternativas complementares de manejo.

Essas estratégias buscam interferir no desenvolvimento da população da praga, mas seus resultados dependem do agente utilizado, da modalidade de aplicação e das condições experimentais.

A escolha das estratégias deve considerar o monitoramento da lavoura, a orientação de um profissional habilitado e a utilização de produtos registrados para a cultura, o alvo e a modalidade de aplicação.

A Ameaça Subterrânea: nova série da FarmFlix ensina a identificar e manejar o cascudinho-da-soja

Diante da preocupação com o cascudinho-da-soja na safra 2026/2027, compreender a biologia da praga e conhecer os resultados das estratégias de manejo torna-se ainda mais importante.

Pensando nisso, a FarmFlix lança, no dia 27 de outubro, a série técnica A Ameaça Subterrânea, dedicada ao cascudinho-da-soja.

Com cinco episódios, o treinamento reúne informações técnicas, observações de campo e resultados de pesquisas realizadas ao longo de diferentes safras agrícolas.

O que você vai aprender na série?

Episódio 1 — Identificação e Danos

Características do cascudinho-da-soja, diferenciação de espécies semelhantes e identificação dos principais danos à cultura.

Episódio 2 — Biologia e Ciclo de Vida

Desenvolvimento da praga, fases imaturas no solo, emergência dos adultos e distribuição geográfica.

Episódio 3 — Monitoramento e Manejo Antecipado

Dinâmica populacional, influência das chuvas, identificação de focos e estratégias para antecipar o manejo.

Episódio 4 — Tratamento de Sementes e Controle Biológico

Resultados experimentais de ferramentas utilizadas na proteção inicial da soja e no controle das fases imaturas.

Episódio 5 — Controle Químico e Horários de Aplicação

Comparação da eficiência de inseticidas foliares e análise da influência dos horários de pulverização sobre os danos, a preservação do estande e a produtividade.

Conhecimento técnico para enfrentar uma ameaça que começa no solo

O cascudinho-da-soja pode permanecer escondido por meses, mas seus danos podem aparecer rapidamente após a emergência da cultura.

Por isso, conhecer seu comportamento e antecipar o monitoramento são medidas fundamentais para proteger o estabelecimento da lavoura.

A AMEAÇA SUBTERRÂNEA

O maior perigo pode estar onde você não está olhando.

Estreia em 27 de outubro, na FarmFlix.

Assine a FarmFlix e tenha acesso à nova série em primeira mão, além de um catálogo de treinamentos técnicos voltados ao manejo das principais culturas agrícolas.

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